Viajar pelo Cerrado é aceitar um convite à escuta: da terra, das pessoas, dos sabores e do tempo.

Comer o Cerrado é compreender o lugar
A culinária do Cerrado nasce da adaptação. Do respeito às estações, do uso integral dos ingredientes e de uma relação íntima com o território. Nada é excessivo, nada é descartável.
É uma cozinha construída ao longo de gerações, onde cada prato carrega memória, técnica e sobrevivência. Comer bem aqui não é sofisticação gratuita é entendimento.


Ingredientes que definem uma identidade
Alguns sabores são indissociáveis do bioma e ajudam a traduzir sua essência:
- Pequi, intenso e marcante, que divide opiniões e simboliza identidade
- Baru, versátil, nutritivo e cada vez mais valorizado na alta gastronomia
- Guariroba, amarga, firme, desafiadora — um gosto que se aprende
- Frutas nativas como cagaita, mangaba e cajuzinho-do-cerrado, pouco conhecidas fora da região, mas profundamente ligadas ao território
Esses ingredientes não seguem tendência. Eles existem porque pertencem ao lugar.
Do tradicional ao contemporâneo: quando a cozinha evolui sem perder a raiz
Nos últimos anos, a gastronomia do Cerrado passou a ganhar novos olhares. Chefs e cozinheiros entenderam que inovar não significa apagar a origem, mas dar continuidade a ela com consciência.
O que se vê hoje é:
- valorização de pequenos produtores
- técnicas contemporâneas aplicadas a ingredientes nativos
- pratos que respeitam o sabor original
- narrativas que conectam comida, bioma e cultura
A experiência gastronômica deixa de ser apenas uma refeição e passa a ser um diálogo com o território.



Onde se hospedar para viver o Cerrado por inteiro
Para que essa experiência seja completa, a hospedagem precisa acompanhar o ritmo do lugar. No Cerrado, dormir bem também faz parte da imersão. Alguns hotéis e pousadas ampliam, e muito, a vivência gastronômica e sensorial do bioma.

Pousada Trijunção — onde três estados e muitos sabores se encontram
Localizada na região do Grande Sertão Veredas, na divisa entre Bahia, Goiás e Minas Gerais, a Pousada Trijunção é uma das expressões mais completas do Cerrado brasileiro.
Aqui, a gastronomia dialoga diretamente com o território: ingredientes locais, receitas que cruzam culturas regionais e uma experiência que conecta conforto, natureza e identidade. É uma hospedagem que não serve apenas como base, ela faz parte da narrativa da viagem.
Chapada dos Veadeiros: o Cerrado em estado puro
Talvez o destino mais emblemático quando se fala em Cerrado, a Chapada dos Veadeiros reúne natureza, espiritualidade e uma cena gastronômica cada vez mais interessante.
Algumas hospedagens se destacam por oferecer conforto sem romper a conexão com o entorno:
- Casa da Lua (Alto Paraíso): atmosfera elegante, vista ampla do Cerrado e estrutura que convida à contemplação após um dia de descobertas.
- Pousada Maya (Vale do Cerrado): integrada à paisagem, com proposta sofisticada e silenciosa, ideal para quem busca equilíbrio entre conforto e natureza.
- Pousada Meu Talento (Alto Paraíso): acolhedora, bem avaliada e com atenção especial à experiência do hóspede.
- Baguá Bangalôs (São Jorge): bangalôs imersos no Cerrado, onde acordar já faz parte da experiência.
Nesses lugares, o dia começa e termina no mesmo ritmo da paisagem, e isso muda tudo.



Outras experiências no bioma
Em regiões como o Jalapão e áreas preservadas do Tocantins, pousadas menores e integradas à natureza ampliam o contato com o Cerrado mais bruto, oferecendo simplicidade bem pensada e experiências sensoriais genuínas.
O que é, de fato, um tour gastronômico pelo Cerrado
Não se trata apenas de sentar à mesa. Um verdadeiro tour gastronômico envolve vivência. Inclui:
- visitas a produtores e comunidades locais
- mercados regionais e feiras tradicionais
- conversas sobre cultivo, colheita e preparo
- refeições que contam histórias
É uma viagem que desacelera e educa o paladar.
Por que esse tipo de experiência ganha força
O viajante atual quer entender de onde vem o que consome. Quer respeitar processos, valorizar origens e viver experiências com sentido. A gastronomia do Cerrado entrega exatamente isso:
- autenticidade
- identidade brasileira
- conexão com a natureza
- valorização cultural
Não é uma culinária feita para agradar a todos. É feita para ser verdadeira.
O sabor que fica depois da viagem
Quem viaja pelo Cerrado não volta igual. Não apenas pelo que provou, mas pelo que aprendeu. É uma viagem que muda o paladar, amplia o repertório e desperta respeito por um Brasil menos óbvio, e absolutamente essencial.